Onde estão os designers negros no Brasil?

Onde estão os designers negros no Brasil?

Uma parceria do trampos e do Afroguerrilha, o Mapeamento de Designers Negros(as) 2017 tem o objetivo de descobrir por onde as pretas e pretos do Design estão espalhados, entender melhor nossa situação na academia e no mercado de trabalho, e facilitar conexões e projetos entre nós.

A pesquisa aceita respostas até 27 de Outubro e o resultado será divulgado no site e nas redes sociais do trampos e do Afroguerrilha no mês de Novembro de 2017.

Participe no link abaixo e espalha! 😀👊🏾
https://goo.gl/forms/DCmQp0MDnYopxp8l2

Design é poder.

Mesmo que tardiamente, as diversas áreas do design tem ganhado cada vez mais atenção no Brasil. Não só sobre a economia, mas também sobre a cultura e o comportamento dos grupos que compõem uma sociedade, o design exerce uma influência significativa que acaba orientando a forma como as pessoas enxergam o mundo e constróem suas relações sociais, e cria narrativas que tentam dar sentidos e explicar a realidade que essas pessoas vivem.

Sendo o design um espaço e atividade de poder, cabe a pergunta: onde estão os designers negros e negras?

Para responder a essa pergunta, nós do Afroguerrilha, junto com o trampos, estamos fazendo a pesquisa “Mapeamento de Designers Negros(as) | 2017”, que tem o objetivo de descobrir onde estão os estudantes e/ou profissionais do design negras e negros de todo o Brasil. No Afroguerrilha, nosso objetivo é facilitar encontros físicos e virtuais, promover estudos em design com base em referências negras, além de fazer conexão de designers com afroempreendedores do país.

A iniciativa partiu do fato de que no currículo dos cursos universitários de design no Brasil praticamente não existem teóricos e designers negros. Se aparecer algum negro, dão um jeito de negar sua negritude ou ignora-la. É como se não vivêssemos em um país que teve quase 400 anos de escravidão do povo africano e que continua sendo o mesmo país de estrutura social, política e econômica racista de 500 anos atrás. É como se negros não existissem, seja porque não estão no design, seja porque, quando estão, é obrigatório esquecer que são negros.

Somos todos iguais?

É aí que jogam na mesa a carta do “somos todos iguais”. As estruturas raciais do período da escravidão continuam intactas. O povo branco, mesmo sendo minoria, continua tendo o poder político, econômico e social em suas mãos e se beneficiam até hoje desses 400 anos de escravidão. Nós, negras e negros, herdamos o pior, como miséria econômica, discriminação social e estética e violência de Estado, para lembrar apenas de alguns pontos. Não temos a mesma origem, as mesmas oportunidades, nem as mesmas condições de vida, portanto não somos nada iguais. Ou seja, é óbvio que é muito difícil para a maioria das pessoas negras ter acesso aos cursos universitários de design ou alcançar boas posições no mercado. Isso torna essa discussão absolutamente importante.

Uma questão de perspectiva.

Mas, para além de ficar apenas nessas questões que envolvem o racismo na sua superfície mais visível, um dos objetivos mais importantes desse projeto é estimular os designers negros e negras na reflexão sobre o design e sua história através de uma perspectiva africana e buscar de volta nossas referências ancestrais perdidas. Ou seja, não basta ter designers negros, é preciso questionar a história do design contada a partir de narrativas brancas. Nós, pessoas negras, não surgimos do nada no pós-abolição. Ainda somos o mesmo povo que foi sequestrado de África, violentado e escravizado no Brasil. Nos reconstruir como comunidade passa por resgatar quem nós somos / éramos antes da selvageria do embranquecimento físico e cultural que é a base da sociedade brasileira.

Se você é uma pessoa negra e é designer (ou estudante de design), não deixe de responder a pesquisa. Vamos descobrir onde estão os nossos e nos conectar! Tamo junto!

Se você ainda não respondeu, clique no link abaixo:

https://goo.gl/forms/DCmQp0MDnYopxp8l2

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