AFROPUNK Festival – celebrando a cultura negra

AFROPUNK Festival – celebrando a cultura negra

Já ouviu falar do Afropunk Festival?

Quando James Spooner, no final dos anos 90, procurava por jovens negros que assim como ele gostassem de punk rock, um estilo musical predominantemente branco, provavelmente não imaginava que estava prestes a criar o festival AFROPUNK. Uma festa que anualmente, desde 2005, reúne música, artes visuais, moda e empreendedorismos.

Imagine um festival de música, artes, empreendedorismo e cultura negra organizado por negros para negros. Imagine que este festival acontece em vários lugares do mundo e que ao ultrapassar os portões que te permitem entrar neste espaço de celebração você se depara com um ambiente onde se sente à vontade, pois tudo o que foi construído naquele ambiente considerou o tom da sua pele, a sua escolha de gênero ou a sua orientação sexual. Sim, este lugar existe, é o festival AFROPUNK que nasceu em Nova Iorque e hoje já está presente em mais cinco cidades no mundo.

AFROPUNK Festival NYC 2016. Foto: Cristiane Guterres

Spooner era um jovem negro que amava punk rock, mas não conseguia compartilhar sua paixão com outras pessoas. Entre os afro-americanos não era bem visto por gostar de um estilo musical predominantemente branco e pelos brancos não era bem aceito por ser negro. Spooner decidiu procurar outros jovens como ele que estavam na mesma busca por identidade no movimento punk. Encontrou quatro jovens e fez um documentário. O filme Afro-Punk conta a história de jovens que buscavam na aparente brutalidade da musica punk o aconchego e a proteção do pertencimento. Pertencer a algo maior, pensar em si mesmo como membro de um coletivo.

Quando o documentário foi apresentado ao público no American Black Film Festival em Miami em 2003, foi um sucesso. Não pela identificação com o estilo musical punk, mas porque outras pessoas negras que se sentiam fragmentadas, sem fazer parte de uma coletividade, se identificaram com o sentimento de Spooner.

AFROPUNK Festival NYC 2016. Foto: Cristiane Guterres

O filme gerou neles uma vontade de unir-se, de fazer parte de algo maior. Não demorou muito para que Spooner se juntasse a um empresário que identificasse esse espaço e o explorasse. Dois anos depois do lançamento do filme, o Afropunk era também um festival de música, cinema e artes plásticas.

Negritude em movimento é a base do festival. Pessoas negras na organização, nos palcos ou como empreendedores vendendo produtos direcionados para a comunidade negra.

Outra veia do festival é a manifestação. O Afropunk se posiciona politicamente contra a homofiobia, gordofobia, transfobia, sexismo, racismo e outras opressões. O festival faz um manifesto contra ao ódio de qualquer natureza.

AFROPUNK Festival NYC 2016. Foto: Cristiane Guterres

Durante 11 anos o festival ocorreu somente num parque no bairro do Brooklyn em Nova Iorque. Há dois anos, ele saiu da cidade e chegou em Atlanta, Paris e Londres. No final de 2017 haverá a primeira edição em continente Africano. Joanesburgo será a cidade na  África do Sul a receber a festa. É possível que a primeira edição brasileira aconteça em 2018. Em que cidade do Brasil você quer o AFROPUNK Festival?

Neste ano o Afroguerrilha está presente com uma cobertura completa dos três próximos festivais que acontecem entre julho e agosto, acomeçar por hoje, mostrando toda a riqueza deste evento. A partir desse fim de semana vamos publicar matérias e fotos do AFROPUNK Paris, que começou hoje, além da edição de Londres (nos dias 25 e 26/07) e em NYC em agosto.

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Cristiane Guterres
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Cristiane Guterres é jornalista e correspondente do Afroguerrilha no AFROPUNK Festival 2017.

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