Emmett Till (à esquerda) e Wheeler Parker (à direita, ao fundo) - 1950. Foto: cortesia de Wheeler Parker Jr ao Jackson Free Press. Mulher que acusou Emmet Till de assedia-la diz que mentiu, 62 anos após o assassinato do jovem negro.

Mulher que acusou Emmet Till de assedia-la diz que mentiu, 62 anos após o assassinato do jovem negro.

O assassinato do adolescente negro Emmet Till ganha um novo capítulo, 62 anos depois de ele ter sido linchado até a morte. A mulher que fez a acusação que teria justificado sua morte confessou, depois de 6 décadas, que foi tudo uma mentira. O adolescente, que na época tinha apenas 14 anos, entrou em uma loja para comprar chiclete, quando visitava uma região branca do Estado do Mississippi, e foi sequestrado, espancado, baleado e desfigurado por 2 homens brancos a ponto de seu rosto ficar completamente irreconhecível.

Para justificar o linchamento, Carolyn Bryant, esposa de um dos assassinos, acusou o jovem de te-la assediado, o que, para a corte que julgou o caso, justificava o linchamento. Segundo o testemunho que ela deu no tribunal na época, o jovem Emmet Till teria a agarrado e a agredido verbalmente. Roy Bryant, esposo dela, e seu irmão, os assassinos, foram absolvidos pelo júri branco.

Roy Bryant, que assassinou brutalmente Emmett Till, de 14 anos, é retratado com sua esposa Carolyn, à direita, que acusou Till de assedia-la no Mississippi em 1955.

Na época, o adolescente negro foi classificado por grupos feministas e supremacistas brancos como “um estuprador em potencial”. Mamie Till-Mobley, mãe de Emmet, decidiu divulgar para o mundo a foto que mostrava o rosto de seu filho completamente desfigurado, para mostrar o horror causado pela supremacia branca, e iniciou uma cruzada pelos direitos civis nos EUA.

62 anos depois, Carolyn Bryant confessa que mentiu. Nesta semana, uma matéria da revista Vanity Fair sobre o livro The Blood of Emmet Till (O Sangue de Emmet Till), conta que Caloryn revelou, em uma entrevista em 2007, que mentiu sobre o caso. Quando Timothy Tyson, autor do livro que será lançado nessa semana, a perguntou sobre as acusações, ela simplesmente respondeu: “aquela parte não é verdade”. Sobre o restante, ela afirmou não se lembrar. Ela disse lamentar muito pelo que aconteceu com o jovem negro e que “sentia uma terrível tristeza por Mamie Till-Mobley” – a mãe de Emmett Till, que morreu em 2003 depois de uma vida inteira dedicada à luta pelos direitos civis.

Emmett Till e sua mãe, Mamie Till-Mobley, que se tornou uma grande ativista pelos direitos civis do povo negro nos EUA.

O caso de Emmet Till foi apenas um de inúmeros linchamentos de pessoas negras nos EUA e foi um dos estopins para o início do Moviemento Pelos Direitos Civis do povo negro nos EUA.

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Robin Batista é designer, editor do Afroguerrilha e colaborador da AFROPUNK.

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13 Comments

  1. ju
    janeiro 29, 14:17 Reply

    Entre essas e outras que odeio quando algumas feministas falam que qualquer homem é estuprador em potencial. Sou feminista e lutos pela igualdade de direitos, mas bom senso é bom né.

    • Dianahoros
      janeiro 31, 09:33 Reply

      Quando se diz que todo homem é um estuprador em potencial, isso se refere ao fato de sermos criados dentro de uma cultura machista onde o estupro é, de certa forma, aceito. Este caso nada tem com a cultura do estupro e sim com racismo. Ele não foi morto por ter sido acusado de estupro, foi morto por ser negro.

      • Matthäus
        janeiro 31, 16:56 Reply

        Se você for ver, o seu argumento justifica o assassinato do garoto.
        Ele foi criado numa cultura machista, nada mais justo do que dizer que ele é um “estuprador em potencial” e justificar sua morte.
        Feminismo e racismo SEMPRE andaram lado a lado.
        obs: procurar por Margareth Sanger.

    • Henrique
      janeiro 31, 10:23 Reply

      Uma coisa é igualdade de direitos e outra é vitimização por seu próprio ego.

  2. Juliano Fibiger
    janeiro 30, 14:33 Reply

    Eis que nessa matéria temos uma prova de que o feminismo branco é nocivo:

    […] Na época, o adolescente negro foi classificado por grupos feministas e supremacistas brancos como “um estuprador em potencial” […]

  3. Victor
    janeiro 31, 06:31 Reply

    Por favor né Juliano “feminismo branco é nocivo”?. O caso foi um caso típico de racismo. Faz uma busca no Google ai procura qts pessoas morreram por causa de feminismo anualmente e depois faz a mesma pesquisa pra ver qts mulheres morrem de machismo a cada minuto!

  4. A
    janeiro 31, 12:00 Reply

    Juliano Fibiger, qual a origem do seu nome? Estamos falando de algo que ocorreu na década de 1950. Refiro-me à atitude das mulheres brancas e não ao crime bárbaro. Pense que se pegássemos alguma matéria da época da Segunda Guerra Mundial e o depoimento de algum alemão nazista, poderíamos HOJE dizer que aquela seria a PROVA de que os alemães SÃO racistas, nazistas e assassinos? E que HOJE essa seria a prova definitiva?

  5. Jtsoul
    janeiro 31, 12:28 Reply

    Arrependimento é o mesmo que é pregado nas igrejas você faz sabendo está errado e recebe o perdão por um erro pensado. Tire vocês suas conclusões

  6. Raquel
    janeiro 31, 17:13 Reply

    Nossa…estou ficando velha e nunca deixo de ficar inpactada com tanto racismo, injustica e violência. Estou tendendo a me isolar cada vez mais. Um garoto morreu por uma mentira de uma mulher infame e vil.

  7. Guerino
    fevereiro 01, 13:52 Reply

    Independente de ser ou não um estuprador em potencial, quem vai pagar pela vida de um inocente? Ainda hoje muitos são sentenciados a morte pela justiça americana. E se for inocente ?
    Só Deus para fazer tal justiça.

  8. Lisnei
    fevereiro 01, 15:33 Reply

    Este arrependimento tardío vai trazer o rapaz de volta a vida?

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